Carolina, sul do Maranhão

FOTOS DE VIAGEM

Carolina, sul do Maranhão

Quando saí de férias, tinha escolhido Carolina-MA como único destino definido. Só por curiosidade, porque tem o nome da minha filha e porque eu havia lido, há alguns anos, que era o principal destino turístico do Maranhão. Eu queria saber por quê.

A região é de chapadões, dezenas deles, que aparecem a cada curva ou após cada colina. Tem tudo para ser um parque nacional (dizem até que isso já está em estudos).

A rocha é sedimentar, como a de Vila Velha-PR, esculpida pelo vento e pela chuva, formando desenhos muito bonitos. Alguns cenários lembram aquela foto clássica do Death Valley, no Arizona, só que verdinho, tudo verdinho.

Aliás, aqui é o sertão maranhense. Tem cara de sertão, só que verde. Dádiva a Amazônia, que começa logo ali, à direita de quem desce.
Quando eu era guri, gostava de explorar pedreiras, subir paredões – nenhum tão altos como estes. Mas na minha ótica de dez anos, eles eram altos sim, e lá de cima eu via todo o meu bairro.

Fiquei olhando para estas chapadas com nostalgia infantil.

Os turistas radicais fazem tudo o que eu mantenho na imaginação: rapel, trekking, enduro, vôo livre, alpinismo. Carolina um dos melhores lugares do Brasil para isso. Bom para acampamento rústico, também.
Lá em Carolina funcionou até o início da década de 70 a primeira hidrelétrica da Região Norte, junto à Cachoeira de Itapecuru, há uns 30 km a leste da cidade. Ela produzia 2MW e foi desativada, sei lá por quê. 

Um morador antigo da cidade me garantiu que ela pode funcionar e produzir, basta uma manutenção. Só que ninguém toma a iniciativa. Na zona rural onde está instalada, há déficit de energia.

Fotos que eu não fiz:

No Ribeirão das Lajes, fiquei olhando meninos de uns oito, dez anos brincando na água, pulando de um galho de mangueira que se projetava sobre o rio, ou da estrutura da antiga ponte. Gostaria de fotografar os gritos deles.

De cima da ponte nova, passei vários minutos olhando mulheres lavando roupa e conversando alto. À noite, quando andava na cidade, uma delas me abordou para pedir dinheiro: tem três filhos, o homem foi embora, lava roupa para quatro famílias e, com isso, ganha R$ 90 por mês; paga R$ 60 de aluguel...

O centro da cidade tem calçadas muito largas, ruas largas, casas baixas, algumas alamedas arborizadas, um conjunto histórico – toda a rua que liga a prefeitura à catedral – e pouquíssimos carros. Não andei na cidade toda, mas onde andei, só vi dois prédios com um andar superior: a prefeitura e uma escola. Todos os outros, só o rés-do-chão.

O sol é muito forte, perto do meio-dia, e um amigo não me deixou caminhar de volta da cidade para o hotel, a essa hora. "Você está no sertão, não pode brincar com o sol." O calor é grande a qualquer hora do dia (sem ser abafado) e as pessoas têm o costume de manter a casa fechada, às escuras, durante o dia para que à noite elas estejam mais frescas.

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